quinta-feira, 24 de março de 2011

... a minha comida é brasileira

O texto abaixo é do blog Rainhas do Lar. Desde a primeira vez que li, não consegui mais parar de me lembrar dele toda vez que me delicio com a nossa culinária.

Nestes tempos que antecedem uma escassez de comida brasileira na minha vida, tenho me atirado na tapioca, na feijoada, no cuscuz, na água de coco, no pão de queijo... como se eu conseguisse guardar na memória todos os sabores para resgatá-los em um momento de nostalgia. 

Ok! Os queijos, os vinhos, os croissants e petit gateaux que me aguardam têm o seu valor mas, como diz o texto, é a comida brasileira que alimenta a minha alma.

Curtam o texto!

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Não vou dizer que o mistério das trufas, a delicadeza dos mirtillos, a excentricidade dos cogumelos, a elegância da Dijon, a perfeição do pesto e dos queijos mais finos, o negrume do shoyo, e todo o sem-fim de ingredientes inebriantes que fazem comida pelo mundo à fora, não seduzam todos os meus sentidos, mas é a cozinha brasileira que alimenta a minha alma.

As mil possibilidades da mandioca, a brancura do coco, o calor da pimenta de cheiro, a explosão de cores e sabores das nossas frutas tropicais, a promessa do cacau, o cheiro do café, os mil feijões, os frágeis beijus, a versatilidade do milho, o afetuoso açúcar, as outrora pobres carnes-secas, os inúmeros mariscos e peixes de nossas águas e a pupunha de nossas palmeiras, a densidade do dendê...

Não, definitivamente toda essa indumentária brasileira de comer, as maneiras, os segredos, a distinção e riqueza de tradições de cada região, cada uma a seu modo, e todas, absolutamente todas, deliciosas, fazem da nossa culinária uma referência de riqueza e beleza gastronômica indiscutíveis.

Salve o tucupi, a maniçoba, o açaí, o tacacá, o cupuaçu, o tambaqui, o pirarucu, e a castanha da região Norte!

Salve o cuxá, o bobó, o caruru, o vatapá, o acarajé, o abará, o caranguejo, o Souza Leão, o bolo de rolo, o pãozinho delícia, o cuzcuz, o beiju, o mingau, a galinha de cabidela, o arroz de leite, a paçoca de carne, o efó, a carne seca, o jerimum, a moqueca, a farofa, o arroz-de-hauçá, a frigideira, o pirão, o dandá, o biri-biri, e os quindins de iaiá da região Nordeste!

Salve o pacu, a piranha, a sopa paraguaia, as chipas, as saltenhas, a linguiça de maracaju, o arroz de guariroba, o caribéu, o caburé, o biscoito do céu, o furrundum, o empadão goiano, a pamonha, o pequi, os alfenins, o arroz de puta rica, e as flores de coco da região Centro-Oeste!

Salve a moqueca e a torta capixabas, o ora-pro-nóbis, o torresmo, o tutu, o angu, as broinhas, o bolo de fubá, o queijo-de-minas, a feijoada carioca, o bolinho de bacalhau, o aipim frito, o filé oswaldo aranha, a sopa Leão Veloso, o camarão com chuchu, o picadinho, a bertalha refogada, o cuzcuz paulista, o filé do Moraes, as rãs da Inezita Barroso, os pastéis de feira, o farnel, a farofa de içás, a jacuba, e a goiabada cascão da região Sudeste!

Salve o barreado, a tainha na telha, o arroz de carreteiro, o arroz com origone, o galeto ao primo canto, a ambrosia, o churrasco e o vinho quente da região Sul!

Brindemos com cachaça a esse divino banquete. Sim, porque a nossa cozinha é coisa dos deuses.

Amém!

Referências: Viagem Gastronômica através do Brasil, meu livro de receitas mais querido.

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